A perda de eficácia dos fungicidas sobre o patógeno causador da ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi) é um fato consolidado para a produção agrícola. Nas últimas safras, os dados oriundos das publicações do Consórcio Antiferrugem comprovam o que é observado no campo pelos produtores: a perda de performance dos fungicidas acarretando em elevadas perdas na produção.

Com a publicação do FRAC, que descreveu a mutação para a redução de sensibilidade em Phakopsora para os fungicidas da classe das carboxamidas, as estratégias de manejo químico se tornam cada vez mais limitantes, visto que para o grupo dos triazóis e estrobilurinas mutações já tinham sido descritas anteriormente.

Estratégias antirresistência

Dentre as estratégias de manejo, indicadas para o controle da ferrugem estão a utilização de cultivares precoces, que apresentem taxas de progresso  e severidade de doença mais reduzidas, semeaduras no cedo, eliminação de plantas voluntárias na entressafra para redução de inóculo, o monitoramento da lavoura e o manejo químico nos primeiros sintomas ou preventivo na lavoura, incluindo a adoção de fungicidas multissítios ou protetores e a rotação de fungicidas, limitando a duas aplicações de carboxamidas por ciclo (GODOY  et al., 2017).

Haverá combinação de ingredientes ativos capaz de propiciar controle duradouro e efetivo das doenças nas condições tropicais do Brasil?

Para a adoção de fungicidas multissítios, uma das medidas necessárias é a regulamentação da a associação de produtos fitossanitários no equipamento de aplicação, imediatamente antes da pulverização. As misturas podem apresentar vantagens em comparação à aplicação de um único composto devido ao aumento da eficiência contra os organismos alvo e à diminuição das quantidades aplicadas e dos custos. Pelo lado da prática de campo, a adoção dessa estratégia pode propiciar redução de tempo, agilidade nas operações de manejo, diminuição do uso de combustível e água. Por outro lado, podem ocorrer problemas relacionados à incompatibilidade de produtos.

Porém, as misturas de defensivos com diferentes mecanismos de ação é uma prática recomendada em vários países para prevenção e manejo de problemas fitossanitários e, no Brasil, podem consolidar-se como uma ferramenta para ampliar as estratégias de manejo contra a resistência dos fungos aos fungicidas, pois pode atrasar as ocorrências de biótipos resistentes.

Regularização das misturas em tanque

Desde 1985 que este tipo de manejo está em pauta para discussão e regularização no Brasil. Pensando nisso, Consórcio Antiferrugem, ao qual o Instituto Phytus faz parte, enviou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma moção que pede providências para a regulamentação das misturas de defensivos agrícolas em tanque, além da nacionalização do vazio sanitário. A moção solicita também a autonomia e responsabilidade técnica do engenheiro agrônomo para prescrição de misturas na Receita Agronômica, com base na recomendação de bula dos fabricantes.

A expectativa é de que o governo, através do Ministério da Agricultura, consiga regulamentar esta prática de manejo, pois existem propostas bem fundamentadas, capazes de trazer ao campo benefícios econômicos e agronômicos.

 

Referência:
GODOY et al., 2017. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2016/17: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos