Em setembro deste ano recebíamos a informação de que a comercialização e o uso do herbicida paraquate teria sido proibido pela Anvisa. Com a premissa de que a manipulação do paraquate gera ameaças a saúde dos trabalhadores do campo, mas sem evidências que o herbicida deixasse resíduos nos alimentos, a agência resolveu que a partir de 2020 haverá o banimento total do produto.

 

Restrições

Decorrentes da reavaliação toxicológica do paraquate, essas decisões foram publicadas através da Resolução RDC nº 177, de 21 de setembro de 2017 (Diário Oficial da União de 22 de setembro de 2017) estabelecendo uma série de proibições e restrições como:

  1. Proibição das aplicações costal, manual, aérea e por trator de cabine aberta de produtos à base do ingrediente ativo paraquate;
  2. Proibição da produção e da importação de produtos formulados à base do ingrediente ativo paraquate em embalagens de volume inferior a 5 (cinco) litros;
  3. Proibição do uso como dessecante;
  4. Proibição do uso nas culturas de abacate, abacaxi, aspargo, beterraba, cacau, coco, couve, pastagens, pera, pêssego, seringueira, sorgo e uva;
  5. Obrigatoriedade da assinatura de Termo de Conhecimento de Risco e de Responsabilidade (RDC nº 177/2017), o qual deve acompanhar as receitas agronômicas emitidas para esses produtos, entre outras.

 

A notícia caiu como uma “bomba” no setor produtivo e gerou apreensão devido a necessidade e grande uso deste ingrediente ativo pelos agricultores, principalmente para manejo de plantas daninhas resistentes ao glifosato em dessecação pré-semeadura das culturas de verão, como é o caso da buva (Conyza spp.) e do azevém (Lolium multiflorum) dentre várias outras.

 

Uso do herbicida

Atuando principalmente por contato, através da inibição do transporte de elétrons a nível do fotossistema I das plantas, o uso do paraquate era regularizado para aplicação em pós-emergência das plantas infestantes nas culturas de algodão, arroz, banana, batata, café, cana-de-açúcar, citros, feijão, maçã, milho, soja e trigo, como dessecante em pré-semeadura ou pré-colheita, ou em jato-dirigido para proteger a folhagem e evitar danos na cultura.

Para o setor produtivo o paraquate é considerado um herbicida de baixo custo, produzido por várias empresas, o que é comercialmente interessante para as empresas de defensivos de diversos portes.

 

Suspensão prorrogada

No último dia 27/11 a Anvisa reviu a suspensão do produto e prorrogou o uso por 180 dias. Atendendo a pedidos do Setor Agropecuário Brasileiro a Agência deu um prazo de 3 anos para apresentação de novos estudos sobre a toxicologia do produto.

Aguardaremos os próximos capítulos, mas o produtor, que já estava com seu produto comprado, agradece.