As dificuldades no manejo de plantas daninhas aumentam a cada safra, sendo a resistência de plantas daninhas aos herbicidas o principal agente complicador de seu manejo, tanto em escala nacional quanto global.

 

Resistência

A buva ou voadeira são plantas daninhas na família Asteraceae (Conyza canadensis, C. sumatrensis, e C. bonariensis) extremamente agressivas e conhecidas pelo grande potencial de produção de sementes.

Para complicar seu manejo, estas desenvolveram, na década passada, resistência à diversos herbicidas comumente usados em lavouras de soja e milho, como o glifosato e herbicidas que atuam através da inibição da enzima ALS (AHAS) (Heap 2017).

 

 

Biótipos de buva resistentes aos herbicidas supracitados são comumente controlados por aplicações de outros herbicidas com mecanismos de ação distintos a estes.

O manejo que tem se mostrado eficiente para o controle de buva compreende a aplicação na pré-semeadura de paraquate, porém no ano de 2017 confirmou-se a presença de resistência a este importante herbicida em biótipos de buva (Conyza sumatrensis), havendo a possibilidade de que resistência tenha se desenvolvido também nas outras espécies.

A dificuldade de manejo, principalmente em um cenário de impossibilidade de uso do paraquate - tanto pelos casos de resistência como pelo seu banimento, faz com que se faça necessário o uso de outros mecanismos de ação herbicida, de maneira combinada para que não se selecione novamente resistência a um outro mecanismo de ação.

 

Aplicação de herbicidas

Uma possível alternativa seria aplicações de herbicidas dessecantes atuando em conjunto, com mecanismos de ação distintos. Um manejo muito utilizado para o controle de buva consiste do uso dos herbicidas glifosato, 2,4-D, paraquate e diuron na pré-semeadura. Outra situação que surte em bons resultados é a aplicação de glifosato, 2,4-D, saflufenacil e glufosinato.

Segundo o Pesquisador de Herbologia do Instituto Phytus, Ph.D. Rafael Pedroso

“A associação glifosato e glufosinato me surpreendeu ao controlar quase 100% da infestação de buva, sem apresentar antagonismo. Resultado similar à glifosato > saflufenacil > 2,4-D e bastante superior ao Glifosato > 2,4-D.”

 

Rotação de mecanismos de ação

O glufosinato de amônio tem a vantagem de apresentar um mecanismo de ação que possui poucos herbicidas registrados para uso no Brasil (atua inibindo a enzima glutamina sintetase), e assim a probabilidade de que se desenvolva resistência pelo uso repetido de herbicida em um mesmo mecanismo de ação é menor.

Além disso, este herbicida oferece controle de plantas de buva resistentes ao glifosato e paraquate, além de outros herbicidas.

Para quem cultiva milho, a utilização de glifosato > 2,4-D > diclosulam na pós-colheita do milho de inverno é uma boa opção, garantindo que não haja novos fluxos de emergência de buva. Porém, esta opção pode ficar comprometida pela baixa umidade do solo. Outra opção que mostra bons resultados é a utilização de glifosato > 2,4-D > diclosulam seguido de glifosato > saflufenacil.

 

Custos dos herbicidas

Um dos entraves ao uso mais amplo do glufosinato de amônio é ainda o seu preço mais elevado, porém, sabe-se que novos produtos contendo este ingrediente ativo estão para serem lançados no mercado, e assim espera-se uma queda no custo de sua aplicação.

 

O custo indicado acima reflete somente o preço dos produtos utilizados em cada aplicação na região onde o experimento foi instalado, e assim desconsidera custos relacionados à aplicação em si.

Nota-se o baixíssimo custo do glifosato (uma aplicação de 4L Roundup Original custou somente R$ 38 por hectare), porém devido à resistência presente na população de buva tratada, o custo por % de eficácia é altíssimo – ineficaz para controlar a buva neste caso.

Os resultados indicam que aplicações de glifosato, 2,4-D e saflufenacil (tratamento 6) constituem excelente opção devido a sua eficácia e baixo custo; aplicações de glifosato e glufosinato de amônio (# 5) são igualmente eficazes, porém, o custo é muito superior.

Neste caso, uma aplicação alternada destes tratamentos, como o tratamento 6 no ano 1, seguidas do tratamento 5 no ano seguinte, poderia oferecer controle eficaz e diminuir a probabilidade da buva desenvolver resistência a estes herbicidas.

 

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