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Cercosporiose no milho: como evolui e dicas para controle

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Agente causal e ciclo da doença

O agente causal da cercosporiose é o fungo Cercospora zeae-maydis. Se trata de um fungo necrotrófico que pode sobreviver na entressafra sob restos culturais de plantas de milho.

Assim, a principal origem dos esporos do fungo que dão início a doença no campo é dos restos culturais. Semeaduras de milho sobre


restos culturais de milho podem, dessa forma induzir uma maior severidade da doença. A principal forma de disseminação dos esporos dos restos culturais até as folhas inferiores do milho se dá pelo vento e também por respingos de chuva. Após início das lesões nas folhas, mais esporos são produzidos e podem ser transportados pelo vento para folhas sadias, desencadeando o que chamamos de ciclos secundários da doença. É devido esse aumento do número de lesões e produção de esporos que a doença evolui das folhas inferiores para as superiores, podendo atingir a planta inteira em situações de ausência de controle.

Figura 1. Ciclo da doença causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis em milho.

 

Danos e condições favoráveis

Os ataques mais severos têm ocorrido na região central do Brasil. Em ataques severos o crescimento e coalescência das lesões podem induzir o secamento generalizado das folhas refletindo na perda de uma grande área foliar. Isso compromete significativamente o processo de enchimento de grãos por paralisar o processo de fotossíntese nessas folhas. Perdas médias que variam de 10% a 20% tem sido relatada em híbridos suscetíveis em áreas de ataques expressivos. O fungo é favorecido por períodos quentes e úmidos de intenso molhamento foliar (Figura 2). O arranjo de plantas na área pode afetar nas condições de microclima nas folhas inferiores de tal modo a favorecer ou desfavorecer a evolução dessa doença.

 

Figura 2. Condições de temperatura e umidade relativa do ar (%) e o desenvolvimento de cercosporiose no milho.

 

Identificação dos sintomas

Veja abaixo um trecho do vídeo do Dr. Nedio Tormen:


 

 

    Clique aqui para ver o vídeo completo do Dr. Nédio Tormen    

 

Principais estratégias de controle

1 - O fungo C. zeae-maydis tem o milho como hospedeiro único e é considerado um fraco competidor no solo, ou seja, a rotação de culturas se torna uma das principais estratégias de controle dessa doença. Rotação com soja, algodão, girassol, feijão são algumas opções.

2 - Existe uma ampla variação de reação de suscetibilidade entre os híbridos (Figura 3). Por isso a escolha do híbrido pode contribuir substancialmente para reduzir os riscos em áreas com alta pressão dessa doença.

Figura 3. AACPD de Cercosporiose em diferentes híbridos de milho. *Quanto maior a AACPD mais suscetível o híbrido. Adaptado de Uebel (2014).

3 - Controle químico com fungicidas em parte aérea é altamente recomendado em híbridos mais suscetíveis refletindo em ganhos produtivos. Dentre os fungicidas mais atuais, destacam-se no controle dessa doença algumas misturas duplas de carboxamida + estrobilurina, estrobilurina + triazol e misturas triplas de carboxamida + estrobilurina + triazol (Figura 4). Para os produtos envolvendo carboxamida recebem destaque no controle de cercosporiose os que contêm fluxapiroxade ou bixafen. Além desses fungicidas, outras misturas de triazol + estrobilurina são bastante eficientes no controle de cercosporiose como por exemplo piraclostrobina + epoxiconazol, azoxistrobina + ciproconazol e azoxistrobina + difenoconazol. Dentre os fungicidas multissítios o mancozebe tem sido utilizado e apresenta satisfatória eficácia sobre cercosporiose.

Figura 4. Eficiência de fungicidas no controle de cercosporiose do milho. *Resultado de três aplicações (V8 << VT << 18 DAA2). Adaptado de Uebel (2014).

 

Material consultado

Uebel JD. Avaliação de fungicidas no controle de doenças foliares, grãos ardidos e efeito no NDVI em híbridos de milho. Brasília: Faculdade de Agronomia, Universidade de Brasília, 2015. 119 p. (Dissertação de Mestrado)

 

Casela CR; Ferreira AS. A Cercosporiose na Cultura do Milho. Embrapa Milho e Sorgo: Sete Lagoas, MG. 2003. 5p. (Circular Técnica 24).