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Manejo outonal de plantas daninhas

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O material levanta os benefícios do controle de plantas daninhas no período entressafra, como a rotação de mecanismos de ação de herbicidas e redução do banco de sementes para o cultivo da safra principal.


Época ideal para dessecação

Entre os meses de abril e maio é o momento adequado para o manejo de plantas daninhas de inverno. Neste período, principalmente no Sul do Brasil, ocorre um intervalo entre a colheita da cultura de verão e estabelecimento de culturas de inverno, podendo ser utilizado para o controle ou redução da incidência de plantas daninhas.

As plantas daninhas que ocorrem nesta época são oriundas de fluxos germinativos que aconteceram dentro das culturas de verão. Essas plantas daninhas não foram controladas dentro das culturas de verão, ou germinaram após o estabelecimento das mesmas.

Dessecação

Uma prática de manejo indicada para o controle é a dessecação, que se feita de maneira adequada impede a ocorrência de novos fluxos germinativos das espécies daninhas.

Através dessa prática de manejo busca-se eliminar as plantas que sobraram durante o desenvolvimento das culturas, impedindo a produção de sementes por essas plantas, reduzindo o banco de sementes e impedindo novos fluxos germinativos das plantas daninhas dentro das culturas plantadas na sequência (Figura 1).

Figura 1- Lavoura de trigo infestada por buva, decorrente de escapes de dessecação

A buva (Conyza spp.), por exemplo, começa a germinar entre o final do mês de março e abril (Figura 2). Já o azevém (Lolium multiflorium) possui seu primeiro fluxo de germinação próximo ao mês de abril, antes do estabelecimento dos cultivos de inverno, que se dará próximo ao mês de junho.

Figura 2 - Lavoura pós-colheita de milho infestada por buva

 

Este intervalo entre duas culturas permite ao produtor a utilização de herbicidas diferentes daqueles que são seletivos, utilizados dentro das culturas.

Desta forma, a dessecação em período outonal oportuniza a utilização de herbicidas não-seletivos, ampliando o leque de herbicidas utilizados e permitindo a rotação de mecanismos de ação. Esse manejo permite o uso eficaz da ferramenta herbicida, evita a seleção de biótipos resistentes e melhora o grau de controle de plantas daninhas.

Para canola, por exemplo, ainda não existem herbicidas indicados para a aplicação em pós-emergência, dificultando o controle de plantas daninhas, por isso é fundamental trabalharmos com manejo de plantas daninhas em pré-semeadura.

Características de Buva e Azevém e produtos para dessecação


Buva (Conyza)Azevém (Lolium multiflorum)

Principal planta daninha resistente no Brasil;
Anual/bienal, atinge 55% lavouras no BR;
Principais culturas atingidas: soja e milho;
Altamente prolífica e agressiva, chegando a 2,5m.
Mundo: resistência a 4 mecanismos de ação (MDA);
Brasil: 2 MDA = EPSPS (glifosato) e inibidores da ALS;
Resistência: MT, GO, MG, BA, MS, SP, PR, SC, e RS;
Rebrota após colheita;

Forrageira de inverno, palha em plantio direto;
Biótipos resistentes: presença no PR, RS e SC;
Mundo: resistência a 11 mecanismos de ação;
BR: EPSPS, ALS, ACCase;

Opções para manejo da dessecação: 2,4-D, glufosinato, saflufenacil;

Opções para manejo da dessecação: paraquat, graminicidas, glufosinato;

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