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Mecanismo de Ação de Fungicidas

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Fungicidas são substâncias químicas, de origem natural ou sintética que quando aplicadas às plantas protegem-nas da penetração e/ou do posterior desenvolvimento de fungos patogênicos em seus tecidos. O mecanismo de ação dos fungicidas, segundo classificação da Fungicide Resistance Action Committee (FRAC, 2013), diz respeito aos diferentes sítios onde agem as moléculas, confira no material didático.


Fungicidas são substâncias químicas, de origem natural ou sintética que quando aplicadas às plantas protegem-nas da penetração e/ou do posterior desenvolvimento de fungos patogênicos em seus tecidos.

Os fungicidas podem ser classificados:

(a) quanto à mobilidade do fungicida na planta (tópicos, sistêmicos ou mesostêmicos);

(b) quanto ao momento da aplicação e as subfases do processo infeccioso (preventivo, curativo ou erradicativo);

(c) quanto a absorção do fungicida pelo esporo (contato ou residual);

(d) quanto à natureza química do produto (inorgânico, orgânico ou antibiótico) 

(e) quanto ao mecanismo de ação.

 

Classificação quanto ao mecanismo de ação:

 

O mecanismo de ação dos fungicidas, segundo classificação da Fungicide Resistance Action Committee (FRAC, 2013), diz respeito aos diferentes sítios onde agem as moléculas (Figura 1), conforme descrito a seguir:

(1) A: Síntese de ácidos nucléicos

Fungicidas classificados com mecanismo de ação A, atuam inibindo a síntese de DNA e RNA (ácidos nucléicos), que são compostos químicos responsáveis pelo armazenamento e transmissão da informação genética. Exemplo de ingredientes ativos (i.a.): Metalaxyl (grupo químico das acylalanina), produto sistêmico de caráter protetor e curativo empregado em tratamento de sementes, raízes e aplicações foliares.

(2) B: Divisão celular e mitose

Fungicidas classificados com mecanismo de ação B, atuam na divisão celular e mitose, impedindo a multiplicação celular e, consequentemente, o crescimento e desenvolvimento do fungo. Exemplo: grupo químico dos Benzimidazois e Tiofanatos, nos quais destacam-se os ingredientes ativos Benomyl, Carbendazim, Thiabendazole, Fuberidazole e Tiofanato metílico.

(3) C: Respiração

Fungicidas classificados com mecanismo de ação C atuam na respiração mitocondrial, privando o organismo do principal produto deste processo, o ATP. Exemplo: Carboxamidas e Estrobilurinas.

(4) D: Síntese de Aminoácidos

Fungicidas classificados com mecanismo de ação D atuam na síntese de aminoácidos, que são compostos que formam as proteínas. Exemplos: i.a. Cyprodinil, Kasugamycina e Streptomycina.

(5) E: Transdução de sinais

 Fungicidas classificados com mecanismo de ação E atuam na transdução de sinais, interrompendo estes processos. Exemplo: Dicarboxamides, representados pelos ingredientes ativos iprodione e procymidone é um exemplo de grupo químico de fungicida com mecanismo de ação E.

(6) F: Síntese de lipídeos e membranas

Fungicidas classificados com mecanismo de ação F atuam inibindo a síntese de lipídeos e membranas, causando desorganização celular e morte do fungo. Edifenfós é um exemplo de ingrediente ativo deste grupo. 

(7) G: Síntese de esteróis em membranas

Fungicidas classificados com mecanismo de ação G inibem a síntese de esteróis em membranas. Exemplo: grupo químico dos Triazois, Imidazois, Piridinas, Piramidinas, Piperazinas e Morfolinas.

(8) H: Biossíntese da parede celular

 Fungicidas classificados com mecanismo de ação H inibem a síntese da parede celular. Os fungicidas deste grupo atuam principalmente na síntese de celulose e ?-glucanas, componentes principais da parede dos Oomycetos, que não possuem quitinia e ergosterol. Exemplo: i.a. dimetomorfe.

(9) I: Síntese de melanina na parede celular

 Fungicidas classificados com mecanismo de ação I inibem a síntese de melanina na parede celular, que nos fungos é sintetizada a partir de compostos fenólicos e auxilia no processo de infecção do hospedeiro, acumulando-se no apressório. Exemplo: i.a. tricyclazol.

(10) P: Defesas vegetais

 Fungicidas classificados com mecanismo de ação P não possuem efeito sobre os patógenos, mas induzem a produção de compostos de defesa. Esses fungicidas induzem a uma resposta da planta (hospedeiro) conhecida como resistência sistêmica adquirida (SAR, sigla em inglês de Systemic Acquired Resistance). Estes indutores de SAR basicamente mimetizam sinais químicos nas plantas que ativam os mecanismos de defesa, tais como a produção de parede celular mais espessa e proteínas antifúngicas. A utilidade dos indutores de SAR, no entanto, tem sido limitada até agora, uma vez que muitos patógenos são capazes de superar tais defesas. Exemplo: i.a. acibenzolar-S-methyl.

(11) Atividade Multissítios

Fungicidas classificados com mecanismo de ação Multi-sítios apresentam atividade em dois ou mais dos sítios apresentados anteriormente. Exemplos: i.a. Mancozebe, Manebe e Thiram, pertencentes ao grupo químico dos Ditiocarbamatos. As Cloronitrilas é outro grupo químico com características multissítios que atua sobre o Ciclo de Krebs, impedindo a produção de ATP e causando a morte do fungo. O principal representante desse grupo é o Clorotalonil, que apresenta ação protetora e de amplo espectro.

 

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