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Rhizoctonia solani na linhaça

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O material didático apresenta algumas características da cultura, das doenças que atacam a linhaça com ênfase na Rhizoctonia.

O linho

O linho ou linhaça pertence à família Linácea, gênero Linum e espécie Linum usitatissimum originária da Ásia, herbácea anual de inverno, com estatura que pode variar de 30 cm a 130 cm, dependendo das condições edafoclimáticas do local da implantação.
A cultura da linhaça pode ser utilizada como uma alternativa na agricultura, que permite o aumento da diversificação de sistemas de cultivo. No entanto, é necessário que haja um beneficiamento agroeconômico, a fim de incentivar agricultores a trabalharem com essa cultura (DORDAS, 2010).
Existe um interesse crescente na utilização da linhaça em alimentos, rações e produtos industriais, com isso a demanda pelo produto é maior que a produção. Para que haja uma produção economicamente viável, os produtores têm investido em práticas, a fim de maximizar a produção (HOCKING; PINKERTON, 1991).

Características morfológicas


Possui um talo principal distinto, e os ramos básicos dão origem a ramos primários, secundários e terciários que produzem folhas pequenas e lanceoladas trinérveas dispostas alternadamente. As flores são hermafroditas, abrem ao amanhecer, sobretudo em dias claros e quentes que possuem cinco pétalas nas cores azuis ou violáceas dependendo da variedade, geralmente caem antes do meio-dia, permanecendo o florescimento indeterminado até o crescimento parar.
Os frutos são cápsulas que contém sementes em cinco celas, podendo ser ocupada por duas sementes, normalmente contendo o número de sementes é de dez por cápsula, usualmente, de cor marrom-claro, embora em certas cultivares pode ser amarela, ricas em óleo, em média 40% cultivada para fins econômicos em mais de 30 países, sendo o Canadá seu principal produtor (FLAX COUNCIL OF CANADÁ, 2010).

Principais doenças

A cultura da linhaça pode ser atacada por diversas doenças, especialmente as causadas por fungos, como Fusarium oxisporum, Melampsora lini, Septoria linicola, podendo ainda ocorrer pelo organismo Colletotrichum lini, ou organismos fitopatogênicos, como Polyspora lini, Phoma sp., Botrytis cinerea, Erysiphe sp., Sclerotinia sclerotiorum, Pythium sp., Thielaviapsis basicola, Alternaria sp., dando foco para Rhizoctonia solani.
 

Etiologia

A Rhizoctonia pertence a um grupo de fungos "micélios Sterilia." Estes fungos não produzem esporos na fase assexuada, mas crescem através da produção de fios finos, chamado de hifas vegetativas. Nos últimos anos, as fases sexuais ou teleomorfos, de muitas espécies de Rhizoctonia têm sido caracterizadas e classificadas no genero basidiomiceto Thanatephorus, Waitea, e Ceratobasidium. No entanto, estes estágios sexuais raramente são vistos na natureza, assim a classificação na Mycelia Sterilia foi mantido.
Seu desenvolvimento forma colônias em ágar e dextrose de batata, que variam em cor do lustre ao preto. Escleródios são produzidos na superfície de culturas após 4 a 6 semanas, e são de forma irregular, castanho claro a preto, e usualmente > 1 mm (0,04 pol.). A temperatura ótima para o crescimento na cultura pura varia de 18 ºC a 28 ºC.
O fungo é capaz de sobreviver por longos períodos de tempo, na ausência de plantas hospedeiras vivas, alimentando em matéria orgânica em decomposição. Quando as condições não são favoráveis para o crescimento, estes fungos persistem como micélio ou escleródios como na palha e no solo.

Figura 1 – Ciclo das relações patógeno-hospedeiro Rhizoctonia solani.
 

Sintomas

Inicialmente, o sintoma mais grave nas plantas é o estrangulamento parcial dos caules (Figura 2), que pode originar sintomas diversos, tais como: atraso no desenvolvimento da planta, deformação e descoloração dos caules, necrose do tecido vascular, pigmentações púrpuras nas folhas.
A Rhizoctonia produz uma toxina que tem efeito inibidor do crescimento. As raízes são igualmente infectadas e algumas delas destruídas, razão pela qual as plantas dispõem de um sistema radicular fraco.

Figura 2: Planta de linhaça com estrangulamento parcial do caule


Controle

Devido aos problemas de doenças, a linhaça não deve ser repetida na mesma área com intervalos menores do que três anos. Deve-se fazer aração profunda para diminuir o inóculo perto da superfície do solo e promover a rápida decomposição dos resíduos infestados. Sugere-se evitar semeadura profunda, pois aumenta o tempo para a emergência e prolonga a exposição de tecidos suscetíveis ao patógeno.
O tratamento das sementes é recomendado como uma forma de prevenir o ataque do patógeno durante o processo de estabelecimento das plantas. A rotação de culturas destaca-se também como uma alternativa para o controle da doença.

BIBLIOGRAFIA
BALDANZI, BAIER, FLOSS, MANARA, FELKL, VEIGA & TARRAGO. As lavouras de inverno - 2. Globo, São Paulo, p. 99-126, 1988.
DORDAS, C.A. Variation of physiological determinants of yield in linseed in response to nitrogen fertilization. Industrial Crops and Products, Thessaloniki. v.31, n.3, p.455–465, 2010.
FLAX COUNCIL OF CANADA. Statistics. 2010. Disponível em: HOCKING, P.J.; PINKERTON, A. Response of growth and yield components of linseed to the onset or relief of nitrogen stress at several stages of crop development. Field Crops Research, Canberra. v. 27, n.1–2, p. 83–102, 1991.

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