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Status da resistência e manejo de espécies de buva (Conyza spp.) no Brasil

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No Brasil, o gênero Conyza (família: Asteraceae) compreende três espécies principais de plantas daninhas que são comumente associadas a grandes perdas de produtividade nas safras de verão e inverno. Estas espécies são Conyza canadensis (syn. Erigeron canadensis), C. bonariensis e C. sumatrensis. Estima-se que mesmo baixas infestações de 1 a 3 plantas/m² podem causar perdas de até 30% de produtividade.


A correta identificação de cada espécie pode ser feita com base no hábito de crescimento e nas características de inflorescência, mas continua sendo um problema no Brasil. A germinação das sementes dessas espécies de plantas C3 ocorre principalmente durante os meses mais frios (outono e inverno) e hibernam como uma roseta (Figura 1).

Figura 1. Plântula de buva (Conyza) (A) e plântula de buva que foi pulvrizada com glifosato (B), evidenciando sintomas de fitotoxidade. Fotos: Rafael M. Pedroso.


Atualmente, a ocorrência de populações de buva resistentes a herbicidas trouxe desafios as manejo dessas espécies. No Brasil, a resistência ao glifosato (um herbicida de amplo espectro que é comumente usado em todo o mundo) foi confirmada pela primeira vez em Conyza canadensis e C. bonariensis em 2005, apenas alguns anos após a introdução da soja transgênica tolerante a este herbicida. A resistência de C. sumatrensis ao glifosato foi posteriormente confirmada em 2009. Até o momento, populações de buva com diferentes níveis de resistência aos herbicidas inibidores da acetolactato sintase (ALS) e ao glifosato estão disseminadas em muitas áreas de cultivo de soja e milho no Brasil.


Recentemente, a resistência de C. sumatrensis a dois diferentes modos de acão foi confirmada, a resistência ao paraquat e ao saflufenacil. Ambos são herbicidas de contato bem conhecidos, usados principalmente para a dessecação de pré-plantio e dessecação de pré-colheita na soja, especialmente em função de controlarem buva resistente ao glifosato e à ALS. Essa resistência da buva aos inibidores da Protox (saflufenacil) e inibidores do fotossistema I (paraquat) tem sido pontual em algumas áreas de soja no estado do Paraná. Porém, muitos produtores em outros estados estão preocupados com a eficácia e longevidade dos seus programas de manejo dessa planta daninha.

Independentemente da espécie, o manejo de plantas de buva resistentes aos herbicidas têm sido feito principalmente através de aplicações da mistura de 2,4-D com glifosato. O saflufenacil também tem sido empregado de maneira semelhante. Os tratamentos com paraquat são geralmente utilizados próximo a semeadura da soja ou do milho para o controle de plântulas, uma vez que sua pulverização em plantas grandes de buva geralmente implica em rebrota e retorno do crescimento, oferecendo baixa eficácia.

Experimentos de campo realizados no Instituto Phytus, sobre plantas de buva resistentes ao glifosato mostraram que muitas misturas oferecem excelentes níveis de controle, indicando que as opções ainda estão disponíveis para os produtores (Figura 2).

Tabela 1. Tratamentos testados para controle de buva resistente ao glifosato. Instituto Phytus
Figura 2. Eficácia de controle de buva resistente ao glifosato aos 7, 22 e 42 DAA com diferentes combinações de herbicidas. *Foi utilizado uma área de pousio para condução do ensaio, sendo uma das piores realidades para manejo com plantas bastante desenvolvidas.

O manejo da buva também pode ser feito através do uso de herbicidas pré-emergentes antes das culturas de verão, como S-metolachlor, flumioxazin, sulfentrazone, imazethapyr ou diclosulan. No entanto, como mencionado anteriormente, a germinação e emergência das plantas ocorre principalmente durante os meses mais frios, portanto seu controle antecipado antes da semeadura da soja e do milho representa o principal meio de manejo. Após a semeadura das culturas de verão, um pequeno percentual de plântulas de buva irão emergir.

Por fim, como o maior percentual de emergência de plântulas de buva ocorre nos meses mais frios, seu manejo será amplamente afetado pelo sistema de cultivo empregado na entressafra. Por exemplo, os produtores cujas as áreas são deixadas em pousio após a colheita das culturas de verão, comumente têm as maiores infestações e, portanto, as maiores dificuldades de controle dessas espécies.

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